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Jovem diz que policial o agrediu com soco na boca após provocação política no 2º turno; Corregedoria confirma que agente iniciou ataque

Mateus foi agredido pelo investigador Denis Vanzelli no 2° turno. Montagem/g1/Arquivo pessoal Um jovem de 27 anos foi agredido com um soco na boca por um inves...

Jovem diz que policial o agrediu com soco na boca após provocação política no 2º turno; Corregedoria confirma que agente iniciou ataque
Jovem diz que policial o agrediu com soco na boca após provocação política no 2º turno; Corregedoria confirma que agente iniciou ataque (Foto: Reprodução)

Mateus foi agredido pelo investigador Denis Vanzelli no 2° turno. Montagem/g1/Arquivo pessoal Um jovem de 27 anos foi agredido com um soco na boca por um investigador da Polícia Civil na porta da Faculdade Oswaldo Cruz, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Ele estava indo votar no segundo turno das eleições, em 25 de outubro. Segundo Mateus dos Santos, o agente, que estava à paisana, cantou uma música com a frase "xô pra lá, sai esquerdista de merda" antes de os dois começarem a discutir. Posteriormente, o agressor foi identificado como Denis Vanzelli. A agressão provocou cortes na boca de Mateus, que usa aparelho ortodôntico, e a perda de parte de um dente. Ele também precisou levar um ponto na parte superior do céu da boca. "Fui agredido do nada. Nunca o vi na minha vida. Foi a primeira vez e espero que seja a última. Logo depois [da agressão], eu descobri que ele é policial civil. Então, tudo piora, porque um policial que era para proteger a sociedade acaba agredindo a população", contou Mateus ao g1. Inicialmente, Mateus acreditava que a agressão tivesse motivação política. Depois, ele passou a considerar também a possibilidade de ter sido vítima de homofobia. “Eu não estava de roupa vermelha, não estava com adesivo de ninguém. Eu estava com uma calça jeans escura, um casaco bege e pronto. Logo depois [de votar], eu já ia trabalhar”, relatou. Quase dez dias após o episódio, a vítima e sua advogada, Lígia Cerqueira, afirmam que ainda não conseguiram acesso à cópia do boletim de ocorrência nem aos autos. Em nota, a Corregedoria da Polícia Civil afirmou que, após análise de ambas as versões dos envolvidos, além de imagens obtidas no entorno, foi constatado que "o policial civil iniciou a agressão física". "A vítima sofreu lesão corporal leve e manifestou interesse na responsabilização criminal do agente. Foi lavrado Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), encaminhado para apreciação do Poder Judiciário. Na esfera administrativa, foi instaurado procedimento disciplinar para apurar a conduta do policial. A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a rigorosa apuração de condutas atribuídas a seus integrantes", diz o texto. O g1 tenta localizar a defesa do policial civil. Agora no g1 Música com ofensa política No dia 25 de outubro, Mateus caminhava pela calçada em direção ao colégio eleitoral quando ouviu uma provocação do investigador que estava atrás dele. O jovem escutou uma música com uma frase ofensiva a pessoas de esquerda. “Ele tava atrás de mim, e assim que eu passei a frente dele, ele cantou a música que era ‘xó pra lá, sai esquerdista de merda’, era uma música falando mal do PT. Só estava eu e ele na calçada." Mateus perguntou se o homem o conhecia. O policial respondeu que não, e os dois começaram a discutir. Após questioná-lo novamente, o jovem foi atingido com um soco na boca. “Eu perguntei de novo, e foi logo depois disso, da segunda vez que eu perguntei mais uma vez se ele me conhecia, ele veio e me agrediu com um soco na boca”, contou. Com o impacto do soco, o aparelho ortodôntico de Mateus cortou sua boca. Ele perdeu parte de um dente e começou a sangrar intensamente. Desorientado após o golpe, o jovem apoiou a mão no chão ao tentar se levantar, também machucando a região. Segundo Mateus, uma mulher que estava do outro lado da calçada parou para ajudá-lo. Enquanto ela prestava assistência, o policial seguiu andando normalmente. Um rapaz que presenciou a situação foi atrás do agente e conseguiu segurá-lo para impedir que fugisse. Na sequência, policiais militares que faziam a segurança do colégio eleitoral chegaram ao local. PMs atendem ocorrência de agressão na porta da Faculdade Oswaldo Cruz, na Barra Funda. Arquivo pessoal Mesmo ferido, jovem fez questão de votar Após a agressão, Mateus conseguiu ligar para a mãe, que foi até a faculdade. Mesmo machucado, ele decidiu votar antes de procurar atendimento médico. A mãe insistiu para que ele exercesse o direito ao voto, apesar do episódio. “Fiz questão também de votar, porque eu acho que como a minha mãe falou era justamente o que ele não queria que eu não votasse”, relatou. Policiais militares, então, acompanharam Mateus até o local de votação. De lá, ele seguiu para Unidade Básica de Saúde (UBS) na Santa Cecília. Após receber atendimento médico, os envolvidos foram encaminhados inicialmente ao 2º Distrito Policial e, posteriormente, à Corregedoria da Polícia Civil. A agressão também provocou medo em Mateus, que afirma ter passado a ficar mais atento ao caminhar pelas ruas. A família também ficou abalada. “Essa semana que passou foi bem terrorizante pra mim, porque eu nunca tinha passado por isso na minha vida. Essa primeira vez, espero que nunca mais aconteça”, relatou. O jovem diz que teme que uma situação semelhante volte a ocorrer. “Não vou mentir, estou com muito medo. Toda vez que eu vou andar na rua, fico olhando para os lados. Meus pais também estão com muito medo assim”, afirmou.