Juiz dos EUA determina retirada do nome de Trump do Kennedy Center
Trump fala durante reunião de gabinete na Casa Branca AP Photo/Jacquelyn Martin Um juiz federal dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (29) que a inclus...
Trump fala durante reunião de gabinete na Casa Branca AP Photo/Jacquelyn Martin Um juiz federal dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (29) que a inclusão do nome do presidente Donald Trump no Kennedy Center foi feita de forma ilegal e bloqueou o plano do governo de fechar o tradicional centro cultural para uma grande reforma. Trump respondeu dizendo que vai enviar uma proposta ao Congresso — de maioria republicana — para que eles voltem a deter o controle da instituição e, assim, decidir pela reinclusão do seu nome e dar o sinal verde para a reforma. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O juiz Christopher Cooper, da Corte Distrital de Washington, afirmou que a decisão do conselho do Kennedy Center, tomada em 16 de março, de fechar o local foi “mal fundamentada e aparentemente pré-determinada”, sem considerar as obrigações legais da instituição. “Os administradores poderiam ter avaliado a conveniência do fechamento de diversas maneiras prudentes. Esta não foi uma delas”, escreveu o magistrado. Cooper também concluiu que o conselho “ultrapassou os limites previstos em lei” ao adicionar unilateralmente o nome de Trump ao centro cultural. Segundo ele, como o Congresso americano foi responsável por batizar o Kennedy Center em homenagem ao ex-presidente John F. Kennedy, apenas o próprio Congresso poderia alterar o nome oficial do espaço. Trump rebate Em um longo texto publicado na Truth Social, a sua rede social, Trump disse que enviará uma proposta para que o Kennedy Center retorne às mãos do Congresso — atualmente, ele funciona como uma parceria público-privada. A reestatização daria poder ao Congresso, de maioria trumpista, o poder de recolocar o nome de Trump na entidade e autorizar a reforma. "Considerando que os Democratas da Esquerda Radical se preocupam mais em se opor ao seu presidente favorito, EU, do que em salvar um Centro de Artes Cênicas decadente, quase todos os quais perdem muito dinheiro em todo o país, trabalharemos com o Congresso para transferir esta instituição falida de volta para eles, para que possam decidir o que fazer com ela", escreveu Trump, em sua típica retórica inflamada. A vice-presidente de relações públicas do Kennedy Center, Roma Daravi, afirmou que a instituição está confiante de que a decisão será revertida em instâncias superiores. “Estamos confiantes de que a Justiça reconhecerá a vontade do conselho de homenagear as contribuições históricas do presidente Trump ao centro cultural do país”, disse. LEIA TAMBÉM: BLOG DA SANDRA COHEN: Trump põe o próprio nome no Kennedy Center sem aval do Congresso e deixa democratas e historiadores indignados Ela afirmou ainda que o prédio precisa de uma “restauração urgente e significativa” e destacou que Trump garantiu US$ 257 milhões para o projeto, verba aprovada pelo Congresso. Agora no g1 A decisão do juiz ocorre após audiências realizadas em abril sobre duas ações judiciais que contestavam o projeto. Uma delas foi movida por organizações ligadas à preservação histórica e cultural. A outra foi apresentada pela deputada democrata Joyce Beatty, integrante do conselho do Kennedy Center. Cooper decidiu a favor do pedido da parlamentar, mas rejeitou a ação das entidades de preservação. Advogados do Departamento de Justiça argumentaram que as reformas planejadas eram limitadas e estavam dentro da autoridade do conselho gestor do centro cultural. Já os autores das ações afirmaram temer que Trump e aliados ignorem regras de preservação histórica do prédio. Em audiências anteriores, advogados citaram declarações do presidente de que pretendia “expor completamente” a estrutura metálica do edifício. Beatty também afirmou estar preocupada com possíveis mudanças radicais no local, comparando o caso às alterações promovidas por Trump na Ala Leste e no Rose Garden da Casa Branca. Desde que voltou à presidência no ano passado, Trump passou a atuar diretamente na gestão do Kennedy Center. O republicano indicou aliados para o conselho da instituição, que o nomeou presidente do colegiado. Posteriormente, o nome dele foi incluído na fachada do prédio, considerado um monumento vivo em homenagem a John F. Kennedy. O Centro John F. Kennedy para as Artes Cênicas é visto após uma visita guiada para a imprensa destinada a mostrar danos no edifício, em 22 de abril de 2026, em Washington. AP Photo/Julia Demaree Nikhinson Apesar da disputa judicial, o Kennedy Center segue realizando apresentações, embora em ritmo reduzido. Trump compareceu, em março, à estreia do musical “Chicago”, e outros espetáculos, como “Moulin Rouge”, seguem programados para junho. O comediante Bill Maher deve receber em 28 de junho o Prêmio Mark Twain de Humor Americano, evento que era tratado como uma das últimas grandes cerimônias do Kennedy Center antes do fechamento planejado. Cooper foi indicado ao cargo pelo ex-presidente democrata Barack Obama.